Linha do Trem Para o Vulcãozinho do Curral

Olhando para a porção leste da Serra do Curral, nas proximidades do Parque das Mangabeiras, é possível notar uma formação geológica que se assemelha a um vulcão. Esculpido pela exploração mineraria das décadas de 1960 e 1970, hoje o Vulcão(zinho) guarda um dos mirantes mais especiais de Belo Horizonte.

Nem mesmo a Serra do Curral, cartão postal de Belo Horizonte, escapou da especulação e exploração mineraria, que até hoje se mantém presente em alguns pontos da formação geológica. Se comparadas fotografias das décadas de 1950 com registros dos anos 1970 e de atualmente, é possível perceber como o semblante da Serra sofreu uma considerável transformação.

Sequência de imagens compiladas pelo Blog Curral Del Rey que mostram o processo de formação do Vulcãozinho.

Ativa entre os anos 1961 e 1979, quando encerrou suas atividades para dar lugar às obras do Parque das Mangabeiras, a Mina Ferrobel deixou na paisagem uma herança que é pouco comentada ou mesmo contemplada: o Vulcãozinho. De lá de cima se tem uma vista única tanto de Belo Horizonte, como principalmente da cava da Mina de Águas Claras, outro curioso remanescente da arquitetura da destruição.

Com trilha razoavelmente marcada até o seu topo, o que dificulta o acesso ao Vulcãozinho são as restrições e privações encontradas no caminho até a base. A rota aqui sugerida tem início no Bairro Belvedere, com a intenção de perpassar pela remota linha de trem que levava o minério extraído na região para o Rio de Janeiro.

Cume do Vulcãozinho com vista para a Floresta dos Pinheiros e a Cava da Mina de Águas Claras.

Cabe destacar que o percurso tem três privações de acesso e que suas travessias podem ser consideradas criminosas. A primeira, na mineradora Vale. A segunda, no Parque Paredão da Serra do Curral. E, por fim, nas partes internas do Parque das Mangabeiras, fechadas desde o final de 2017 em função do surto de febre amarela daquele período. 

Percurso completo com pontos de atenção em destaque.


I. Início na Praça Tom Jobim, Bairro Belvedere

A expedição começa em uma trilha existente de frente para a Praça Tom Jobim, no Bairro Belvedere. Subindo por um caminho de pedras, é possível acessar a linha de trem desativada que divide Belo Horizonte de Nova Lima.

Sinalizado de verde a Praça Tom Jobim e o início do trecho pela linha de trem desativada.

II. Dois quilômetros planos pelo Trilho do Trem

Território recheado de especulações, a linha de trem desativada é usada tanto por corredores, caminhantes, ciclistas e motoqueiros, como também por praticantes de rapel. Seguimos por ela na direção leste (à esquerda, depois de subir a trilha que vem da Praça Tom Jobim) até cruzar um pontilhão alto, que corta a Mata do Jambreiro. Poucos metros adiante, à esquerda, existe um acesso sobre um barranco de terra.

Em amarelho, o pontilhão. Em vermelho, o acesso proibido onde tem início a subida de calçamento.

III. Proibido o acesso de pessoas estranhas

Este barranco foi construído pela Vale para evitar o acesso às dependências da mineração e ao Parque Paredão da Serra do Curral, com o qual faz divisa. Portanto, a partir deste trecho, é importante destacar que você está em território de acesso restrito.


IV. Vamos reto na curva do cotovelo

Cruzando o barranco existe uma subida calçada de concreto. Subindo adiante por cerca de 1km, chega-se à uma curva acentuada, que se assemelha à um cotovelo. Se dobrar a curva e continuar subindo, a trilha dá acesso à estrada de terra do Parque Paredão da Serra do Curral. Mas a rota segue reto, em um trilha mais fechada, que desce vagarosamente até encontrar um barranco, poucos metros adiante, que cai nas dependências da mineração. 

Em verde, o cotovelo onde se segue reto. De preto, início do asfalto da mineradora. Azul, bifurcação, mantenhas-se à direta.

V. Desce até o Asfalto

Uma vez dentro da mineração, seguimos adiante e abaixo, em direção ao asfalto que conecta as áreas administrativas da empresa. Pegamos à esquerda no asfalto e vamos nos mantendo à direita até descer em direção aos galpões abandonados da mineradora. 


VI. Contorno da Lagoa Azul

Depois de cruzar os galpões abandonados, pegamos um estradão largo de terra, que começa a margear a cava de Águas Claras. Só será possível avistar a lagoa adiante, depois de encarar uma subida por essa via bastante larga. O contorno é longo e com algumas bifurcações e acessos no caminho. Nos mantemos sempre pela estrada mais larga, na direção do contorno da Lagoa, que está à esquerda.

Contorno da Cava de Águas Claras em destaque. No ponto roxo está a entrada da Floresta de Pinheiros.

VII. Olhe bem para os Pinheiros!

À certa altura do contorno da Lagoa Azul já será possível avistar o Vulcãozinho, de costas, envolto por uma mata de pinheiros em sua base. Vamos seguindo na estrada de terra (que se afunila, levemente), até começar a subir na direção do Vulcão. Em um momento será possível acessar uma trilha à direita, que entra para dentro da floresta de pinheiros.


VIII. Floresta de Pinheiros

Este é o momento mais crítico, porque não existe uma trilha bem marcada na Floresta de Pinheiros. Seguimos em direção à base do Vulcão, tomando os acessos possíveis, até sair da copa das árvores. Assim que saímos da floresta é preciso escalar uma parede de minério para chegar à base do Vulcão. Esta parte demanda bastante atenção, porque as pedras do barranco costumam se soltar. 


XIX. A Escalada do Vulcão

Terminada a subida pelas pedras, chega-se à base efetiva do Vulcão, de onde sai uma trilha em direção ao seu cume. É uma trilha inclinada, cheia de raízes, mas sem grandes dificuldades ou perigos para além da inclinação. Subiu, chegou!


X. Vamos descer?

Muito cuidado na hora de descer, porque a inclinação é grande. Voltamos para a base e seguimos reto, na direção das torres de transmissão que se vê no horizonte (onde está o Pico BH). Esta é mais uma trilha pouco marcada. Seguimos por ela até chegar na rua calçada que dá acesso às torres e ao Pico BH. Pegamos à esquerda, descendo, para irmos embora.

Vulcãozinho no destaque Vermelho. No ponto amarelo tem início a descida de calçamento. Em verde, o portão do Parque.

XI. A Descida e o Acesso ao Parque das Mangabeiras

Descemos a rua de calçamento até chegar em uma portão de ferro, com aspecto de abandono, que dá acesso ao Parque das Mangabeiras. Este é mais um acesso restrito, tendo em vista que toda essa porção interior do Parque costuma ficar fechada. 


XII. Chegamos!

Uma vez dentro do Parque é só seguir o calçamento de pedras, mantendo-se à esquerda, que a estrada nos leva para a Praça das Águas, onde fica a lagoa e os quiosques. 


Vulcãozinho

Distância Aproximada | 12km
Elevação Aproximada | 500m
Dificuldade Técnica do Terreno | Média



NOTA: Todas as rotas postadas aqui no site tem como intenção uma simples explicação do território e de suas possibilidades de trânsito. Quem se aventurar em viver essa ou outras experiências assume a própria responsabilidade do ato – e está sujeito às consequências físicas, técnicas, geográficas e jurídicas do percurso. 

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